“Cuidem, cuidem do Parque”, pediu Niède Guidon antes de morrer e deixou testamento com orientações para equipe

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Em 1975, a arqueóloga Niède Guidon escreveu uma carta ao então governador Dirceu Arcoverde pedindo e detalhando medidas urgentes para proteger o Parque Nacional Serra da Capivara. Um documento histórico, escrito à mão. Quase 50 anos depois, ela agora detalha em testamento o que deseja para a preservação da região, orienta equipe e quem vai cuidar de seus bens. 

Niède morreu na madrugada da última quarta-feira (04) aos 92 anos. O enterro aconteceu ontem (05) no mesmo dia em que o Parque Nacional Serra da Capivara, pelo qual tanto lutou, completa 46 anos. A cerimônia fúnebre contou com cerca de 60 pessoas em momento bastante reservado no jardim da casa de Niède, atendendo ao pedido que ela havia feito em vida. 

A arqueóloga morreu em casa, no bairro Campestre, vítima de um infarto. Antes de falecer, a cientista que revolucionou os estudos arqueológicos, pediu para cuidem do parque, das pessoas que dependem do seu legado. 

“Ela vai continuar nos iluminando em outro plano e temos a missão que nos concedeu. Ela sempre dizia: cuidem do parque, cuidem do parque e meia palavra basta para a doutora Niède. O que depender de nós vamos lutar, se precisar brigar, como ela brigou, vamos brigar para manter o parque como ela sempre sonhou. Somos muitas e vamos lutar para manter seu legado”. 

Reprodução

Niède já fez a transição e três nomes são fundamentais como liderança no parque, que é a Rosa Trakalo, Anne Marie Pessis, presidente da Fumdham e Marrian Rodrigues, chefe do parque nacional Serra da capivara. 

Rosa Trakalo, diretora dos Museu do Homem Americano e da Natureza, amiga de Niède, disse que a arqueóloga deixou tudo organizado quando partisse e pediu que cuidassem do parque. 

“Quando perguntava uma coisa de trabalho, ela dizia: eu estou aposentada, se virem. As coisas vão continuar andando. Faz um tempo que ela escreveu em cartório seu testamento, o seu desejo de todos nós”, disse. 

Nos últimos seis anos, Niède vivia reclusa em sua residência, com 10 gatos, quatro cachorros e cuidadores. Ela recebia apenas os amigos mais próximos. Quando foi diagnosticada com chikungunya, Zika e dengue ao mesmo tempo, ela passou a ter dificuldade de locomoção. 

O governo do estado e as prefeituras de São Raimundo Nonato e Coronel José Dias decretaram luto de três dias. A repercussão da morte de Niède foi mundial e o presidente Lula publicou nota de pesar e ressaltou o trabalho da arqueóloga.

Reprodução

Fonte: Cidadeverde.com

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