“Jenipapo 200 Anos”: Série em podcast revela os rituais religiosos atrelados ao evento histórico

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“A desigualdade entre os inimigos gerou no imaginário coletivo o ar de mártires para os que morreram lutando”, conta Juliana Cavalcante, pesquisadora de movimentos religiosos em torno da Batalha do Jenipapo, no segundo episódio do podcast “Jenipapo 200 Anos”, que teve sua estreia na última segunda-feira (20). Em homenagem ao bicentenário do confronto, o material está disponível no Spotify e YouTube com conteúdo pensado para as escolas. 

A independência do Brasil não seria a mesma sem o sangue derramado em Campo Maior, palco da batalha sangrenta entre as tropas portuguesas de Fidié, munidas de armamento pesado à ferro e pólvora, e os sertanejos que moravam na região, que viviam de modo rudimentar. O misticismo e os rituais em torno daquele 13 de março de 1823 estão sacramentados na cultura da cidade. 

A batalha injusta daqueles que lutavam pela independência armados com foices e facões transformou o ensejo por liberdade em devoção. “Esta questão parte do catolicismo popular. O culto vem de um desdobramento de como são cultuados os santos canônicos. Há o pagamento da promessa, a validação, os ex-votos. O Cemitério do Batalhão é visto como um lugar sagrado no imaginário popular”, explica a socióloga.

O símbolo maior desse processo é o Monumento à Batalha do Jenipapo, na entrada do município localizado a 83 km de onde, 29 anos depois, seria a capital Teresina. Aquela região carrega a energia e o sincretismo de um povo valente. O local, foco da pesquisa da socióloga Juliana Cavalcante, é palco de vigílias, orações e romarias.

Muitas são as pessoas que deixam um membro de madeira, símbolo frequente da religião nordestina, no cemitério junto ao Monumento. São aqueles que buscam a cura de uma doença, ou mesmo os que alcançaram alguma graça e permanecem em eterna gratidão. O podcast mostra que o encontro com o divino ocorre onde a fé é semeada, ainda que distante de métodos do Vaticano. 

“Jenipapo 200 Anos”, podcast apresentado por Cinthia Lages, vem para exaltar os registros da luta piauiense que unificou o Brasil. A produção, dividida em cinco episódios com eixos temáticos, é uma realização da Monteiro & Bezerra LTDA e é apoiada pela Secretaria de Estado da Cultura (Secult), do Governo do Estado do Piauí.

Foto: Tribuna Piauí

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